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domingo, 26 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Status da missão: confuso


Quatro meses... Juro que, antes, responderia displicentemente que saí de casa a mais tempo: cinco, seis meses? Já foram nove? Quase um ano? Como é bem conhecido, a noção de tempo é bem relativa.

A questão é que, desde de minha vinda repentina à Sampa, muita coisa aconteceu: da procura por um lugar (semi-decente) pra morar, à saudade dos que deixei no Planalto central, passando pelo início num emprego totalmente desconhecido, as belas e estranhas (e assustadoras) pessoas que encontro em cada esquina, as boas baladas (e as furadas também), até chegar à atual bagunça em que me encontro... Acho que posso dizer que essa aventura se parece cada vez mais com a história de Alice ou "The arrival" (mas sem tanto glamour ou exuberância gráfica).

Meu atual status pode ser definido como empregado (ufa!), residente da Zona Leste paulista, baladeiro ocasional e louco por mudanças. Não digo "mudanças" como a que foi vir pra cá ou mudar a cor do cabelo de novo (que, aliás, voltou à sua cor naturalmente azulada), mas de - uma vez sobrevivendo fora de casa - querer evoluir, "melhorar de vida" como diz o senso comum.

Houve quem dissesse que, se eu queria conforto, não deveria ter saído de casa. Há quem sugira (ainda) que eu posso sempre voltar, e confesso que penso nessa possibilidade sempre que a barra pesa muito. Digo, é claro que - entre outras coisas e pessoas - sinto falta da comodidade que desfruto em casa desde que era criança e que, às vezes, experimento uma angústia que faria o próprio Charlie Brown corar por reclamar tanto e ser tão amador, mas não posso dizer que fui enganado: saí de casa consciente de que (se quisesse começar a construir algo meu) não seria fácil e tampouco rápido... então por que esse desânimo agora? Estaria o velho Pedro cansado de guerra? Aliás, teria o (velho) Pedro esperado tempo demais pra começar a própria vida?

Divagações sobre idade à parte (xô, Saturno!), talvez seja hora de dar um tempinho nessa correria caótica que rege meus dias e fazer um balanço, me organizar um pouco pra realizar as tão desejadas mudanças; força e velocidade não valem muito se você não souber pra onde vai.

E lá vamos nós!


sábado, 22 de outubro de 2011

Allons-y!



Primeira vez que escrevo algo desde que cheguei, subitamente, à Big City. Também pudera: só agora consegui me instalar, arrumar um emprego e ter acesso a um computador (que não o de Lan houses, o que me lembra de mudar as senhas dos meus e-mails o mais rápido possível). Em linhas gerais (e digo isso especialmente para aqueles a quem não posso dar notícias em “tempo real”) estou bem. O choque inicial e o conseqüente medo do deslocamento súbito de Brasília para São Paulo vão, aos poucos, dando lugar a uma confiança por vezes abusada e a uma curiosidade aparentemente insaciável de entender como funciona essa cidade (sinceramente não acho que vá conseguir de fato, mas, como disse, ando abusado a ponto de acreditar nisso de vez em quando).

Dizem que quando você passa a morar num lugar, todo o encanto que ele exercia sobre você desaparece, tornando-se trivial. Meus amigos daqui vivem repetindo essa máxima enquanto me mostram lugares e/ou coisas que apesar de – para eles – serem completamente triviais, para mim são experiências e lugares novos (o que só atiça minha curiosidade); como quem diz “Relaxa, um dia isso tudo será comum demais para você” (no que eu respondo “Será?”, com uma expressão descarada de “Duvido muito!” no rosto). Não que eu realmente duvide que São Paulo, um dia, se torne comum demais para mim (mesmo a modernista Brasília, com sua irrealidade utópica e “rebelde” conseguiu esse feito), mas gosto de pensar – naqui – como um lugar fértil em possibilidades (que lugar novo não o é?) e depois... quem sabe? Também gosto de pensar nessa cidade como uma primeira parada para outros destinos (independentemente dos valores, positivos e/ou negativos, que eles possam representar. Tudo é experiência).

Sei o quanto (excessivamente) otimista e ingênuo pareço falando assim; parte de mim, inclusive, está até envergonhado, mas – superados o choque inicial e o medo anteriormente citados – é impossível não ver toda a situação com um certo otimismo: é um novo começo, é uma nova possibilidade (que, por sua vez, se desdobra em outras), é um novo... tudo.

Correndo o sério risco de me repetir (já que tenho entoado essas palavras durante toda a semana, como um mantra), wish me luck!

Inté!

sábado, 6 de agosto de 2011

Do que se impõe (direitos humanos, por exemplo)...



Ai credo, é o fim do mundo! Na minha época não acontecia isso! – exclama minha avó diante do noticiário na TV.

Claro que acontecia, coisas assim acontecem desde que o mundo é mundo. – respondo eu, todo trabalhado na poker face.

É, mas pelo menos a gente não ficava sabendo! – retorna minha avó.

Relevada a idade de minha avó (e, consequentemente, sua visão de mundo), a situação descrita me têm feito pensar: Não sei se é porque, agora, ando mais sintonizado nesse tipo de notícia (afinal, como todos sabemos, nossa visão de mundo muda de acordo com nossos interesses), mas – de fato – não me lembro de ver, nos noticiários, notícias como as que venho acompanhando atualmente. Todos os dias pipocam novos casos de crimes de ódio pelo país; todos os dias ouço casos de pessoas que morrem/são atacadas sem provocação, todos os dias ouço acusações de privilégios e tentativas de instauração de uma dita “ditadura” e o pior: todos os dias me acostumo mais um pouco com esse cenário.

A última foi a criação do dia do orgulho heterossexual como resposta à série de “privilégios” concedidos à população LGBTs e... numa boa? Não vou enumerar os contra-argumentos aqui; pessoas mais articuladas já o fazem todos os dias e são sumariamente ignoradas (o que é uma pena, dado que algumas delas são brilhantes). Me limito a dizer que estou cansado dessa história. Cansado de tentar entender o porquê de tanta histeria, da aparente necessidade de pintar uma batalha, uma dicotomia desnecessária; é tão importante assim aos parlamentares/formadores de opinião ter a quem hostilizar a ponto de usar isso como parâmetro de “liberdade de expressão”? Porque, pessoalmente, é o que parece.

Não quero escolher “lados” (embora, por ser quem sou, já seja automaticamente pintado como o capeta), não quero devolver a opressão na mesma moeda, não quero ser Bruno. Quero viver minha vidinha como qualquer outro cidadão livre nesse planeta. Levando em conta que sou humano, adulto, pago meus impostos e ajo como qualquer outra pessoa dentro dessa sociedade, acho que tenho esse direito, não?

Ou serei realmente obrigado a pegar em armas para defender minha liberdade de existência e tudo o que minha família me ensinou sobre não mentir (sobre quem eu sou, inclusive)? Engraçado que, ao pensar em todas as discussões levantadas – sobretudo na supervalorização da palavra “ditadura” – me veio à mente a relativa tranquilidade e sorte que atribuíam à minha geração de não ter vivido os anos de chumbo da repressão militar, dizendo que jamais saberíamos o peso de toda aquela vigilância e insegurança... será?

Será por isso que, quando criança, me diziam tanto para aproveitar essa época da vida?

Inté!

terça-feira, 29 de março de 2011

Do que está preso na garganta...



Diário de bordo: Estou cansado... simplesmente isso.

E por mais corriqueiro e repetitivo que soe (e, acredite, isso se tornou quase um mantra), a fadiga física e emocional parecem não me deixar abstrair esse fato por muito tempo. Eis que, nova e definitivamente, me encontro no último semestre da faculdade (#oremos para que dessa vez nada aconteça a minha nova orientadora), mas diferentemente da outra vez não transformei a última semana de férias num road movie improvisado (o que é uma pena... e me dá ganas de levar uma câmera da próxima vez)... nem o carnaval, pra ser sincero...

Na verdade preferi passar as férias todas produzindo/trabalhando e juntando dinheiro pra possível viagem à Quadrienal de Praga onde o pessoal de Brasília exporá seus projetos de cenografia e figurino na mostra das escolas, mas... estou cansado demais pra correr atrás de passagens também (o que parece, à primeira vista, uma grande bobagem, eu sei).

Acho que só agora, com o início do novo semestre na UnB é que parei pra planejar o que fazer daqui pra frente e a primeira grande decisão é que – talvez pela exaustão, talvez pelo que esteja planejando além da UnB – cansei de dar murro em ponta de faca, de me estressar, de me desgastar pelo que não vale a pena (claro que uma viagem à Praga seria maravilhosa, mas se for pra me desgastar o quanto se exige, prefiro fazê-lo com o meu projeto de conclusão de curso, que – aliás - é outro dos grandes dilemas desse ano). Estou cansado e chateado demais para querer agradar ou para manter um orgulho besta e frágil.

Engraçado, né? Por mais desenvolvido que seja nosso senso de auto-preservação parece que sempre tomamos as decisões mais simples e eficientes quando estamos à beira de um colapso. Vivendo e aprendendo...

Hasta!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Má influência???



Tive de ouvir isso ontem (ou anteontem, visto que minhas atividades intelectuais geralmente ultrapassam a barreira calendárica da meia-noite) e durante todo um dia fiquei cozinhando o ódio e a revolta como uma panela de pressão, logo peço licença (e, ocasionalmente, perdão) a um momento de escape, do contrário corro o risco de explodir minhas mágoas sobre alguém inocente.

Para quem não sabe, sou o mais velho de seis irmãos e há cerca de dois meses atrás saí do armário pras duas irmãs do meio (ambas adolescentes) já que – assim como fui criado – acredito que o mais justo a se fazer é ser honesto sobre quem se é, sobretudo com aqueles que mais amamos. Passado o estranhamento inicial (sempre acontece), conversamos naturalmente, como sempre aconteceu antes da “revelação” e confesso que isso me trouxe uma leveza de espírito incomparável, do tipo que se sente quando se nota que, a despeito dos trancos, barrancos e estereótipos criados, se é amado de verdade por ser quem se é. E acho que pode-se dizer que isso me trouxe um pouco mais de descontração dentro do ambiente familiar dado que – de certa forma – me fez sentir mais em casa.

Pois quando não é minha surpresa/indignação/revolta quando escuto de uma das pessoas em que mais confio a suposição de que – em meu jeito de agir – posso estar exercendo uma má influência sobre as meninas (e os dois irmãos menores); que no meu hábito de falar o que vêm à cabeça (e, parcialmente, na minha arte também) eu imponho minha sexualidade e toda a minha cultura gay a crianças que ainda estão em fase de formação psicológica podendo influenciá-las de alguma forma mais à frente.

Como responder a isso?

Deveria, então, ensiná-los coisas bonitas e clichês sobre amor e honestidade, mas – na prática – transmitir-lhes que a verdade NÃO deve ser dita e que a hipocrisia é a lei dominante, absoluta e irrevogável? Devo - no papel de irmão mais velho (e padrinho de um deles) - ensiná-los que, a despeito de sermos iguais em direitos e deveres, a televisão está certa ao objetificar a mulher, firmar o arquétipo do machão insensível como norma e taxar gays, lésbicas e trans como um grupo estereotipado e menor em cidadania?

É, talvez eu devesse fazer isso mesmo.

Na boa, posso não ser um homem/cidadão/irmão/padrinho exemplar (e nem sei se o quero ser), mas sei o que é ser segregado por diferir dos outros na escola, ser motivo de piada por gostar do que (e de quem) eu gosto e até mesmo por tentar infligir o mesmo aos outros e posso dizer com toda a certeza que NÃO VALE A PENA. Não vale o peso na consciência nem o sentimento de culpa (que, comparando agora, é muito maior ao que eu senti no meu processo de aceitação).

Logo, respondendo com todo o atraso que o sentimento de perplexidade e meu raciocínio lento puderam me proporcionar, não acho que meu “jeitinho” possa ser má influência aos meus irmãos ou, pelo menos, do jeito que foi apontado; eles tem personalidade (uns até demais, diga-se de passagem), contam com a mesma formação moral que eu e no que depender de mim não passarão pela mesma angústia e sentimento de culpa que passei ao constatar que não fazia parte de uma sociedade-rebanho (afinal esse é um suplício que não desejo a qualquer pessoa).

(a menos, é claro, que a mídia tenha declarado, de ontem pra hoje, a honestidade como um desvio de conduta; nesse caso assumo meu papel subversivo)

Hasta!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

E lá vamos nós...



É consenso geral que a época de ano novo é propícia para – além das promessas furadas, fogos de artifício e bebedeira generalizada – fazer uma retrospectiva, um “balanço” do ano que se finda e estabelecer metas e posturas para o ano que se inicia (o que também me lembrou, agora, os períodos de aniversário, onde as pessoas costumam fazer o mesmo, mas não quero falar de aniversários agora). É consenso também que sete dias é um período de atraso muito grande para fazer qualquer coisa inclusive o anteriormente citado balanço anual, mas – foda-se – sinto que, pelo menos agora, preciso fazer uma paradinha para assimilar tudo que se passou nesse louco ano de 2010.

E quando digo que 2010 foi um louco ano quero fazê-lo com a devida ênfase em “louco” (em negrito, duplamente sublinhado e com fonte tamanho 80, por exemplo) porque – verdade seja dita – nunca tive um ano como este... Ok, nenhum ano é igual a outro, mas quando digo isso o faço por conta da velocidade e da intensidade dos fatos ocorridos; de forma geral posso dizer que foi uma bomba atrás da outra (ou “baphon”, dependendo de quer ler).

Nunca viajei tanto como neste ano: conheci (e reconheci) lugares fantásticos, pessoas incríveis (outras nem tanto) e – a despeito do acidente do ano anterior – corri bastante para, ironicamente, voltar à fase workaholic da qual venho tentando fugir a alguns anos; voltei a mexer (indiretamente) com teatro e, numa surpreendente sucessão de eventos e desdobramentos, relembrei como a vida pode ser bipolar, instável e dona de uma ironia por vezes sádica. Tudo isso aliado a um forte sentimento de liberdade (com uma pitadinha de loucura)... seria, isso, a liberdade mesmo? Duvido. Cada vez que penso em tudo que se passou (e que ainda está passando... esse ano parece ter começado no mesmo pique do anterior), fico mais convicto de que – passada a caótica “libertação” de algumas amarras no ano passado – resta, agora, administrar o que foi conquistado e espiar o que há além do prometido pelos horizontes, afinal o caos não funciona se não for intercalado com um pouco de ordem (ou, pelo menos, assim se diz).

Mas acho que – ao final de tudo – a lição de 2010 foi que é bom se permitir ousar um pouco; por mais louco e arriscado que pareça (e às vezes é mesmo) pode se descobrir todo um novo universo. E, por mais que tenha que me concentrar em organizar tudo que o louco 2010 trouxe, espero manter um pouco daquele caos comigo esse ano (sabem lá os deuses o que isso pode me trazer?) e desejo o mesmo a você, que parou pra ler esse pequeno desabafo/balanço/faxina mental.

(Pronto, fim de balanço)

Feliz ano novo! =)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Moema



Conta-se que, ao ver seu amado Diogo (Caramuru) partindo para a França numa nau com Paraguaçu, Moema se lançou ao mar e acompanhou o navio a nado... até sucumbir ao cansaço e morrer nas águas do Atlântico.

Já teve a impressão de batalhar por algo muito desejado, (quase) se matar no processo e - ao final - olhar pra tudo o que foi feito e ter a clara sensação de morrer na praia? É mais ou menos isso (e, não, não é nem um pouco bacana).

Minha sorte é que - como tudo o mais na vida - isso passa e daqui a pouco me jogo em mais uma loucura sem sentido lógico aparente.

#Oremos

Hasta!

sábado, 13 de novembro de 2010

Sweet november...

Não, não sou muito chegado no meu aniversário.

Até queimei alguns neurônios escrevendo um texto que expusesse meus motivos, mas - no final - o resultado ficou tão pessoal que temo dizer que ninguém mais, além de mim, o entenderia. Então, como o bom pretenso-desenhista-profissional-e-egocêntrico que sou, peguei os lápis e expressei, como pude, o sentimento que se apossa de mim nesse "doce novembro" (como o @doutorestranho gosta de chamar); não é a coisa mais positiva do mundo, mas, como disse, são os meus motivos... talvez os conte, um dia, numa conversa qualquer.

Mesmo assim queria deixar registrado no blog (assim como tantas outras coisas, boas ou ruins que me aconteceram desde que o criei) que eu amei as felicitações no dia onze: as ditas, as não-ditas e mesmo aquelas-pra-pegar-no-pé (né, @leonardoseville e @MMati?)... enfim, todas os parabéns que vieram despidos da pura e repetitiva educação formal e que traziam em si bons e sinceros pensamentos (afinal, não é o que realmente queremos dos outros?); muito obrigado MESMO (e desculpem o atraso de dois dias para agradecer)!

Voltamos, agora, à nossa programação (a)normal...

Hasta!

sábado, 23 de outubro de 2010

Hay que endurecer...

Você cai. Você se machuca. Suponha que isso aconteça várias outras vezes e – quando você vê – não se machuca tanto! Os mais velhos dirão que você ficou calejado (ou, de forma mais simples, você ficou mais duro e insensível para se proteger das constantes quedas), afinal é uma reação natural do que é agredido querer se defender, certo? Mas o que acontece quando se extrapola esse mecanismo de defesa, quando se fica duro e insensível demais?

Ok, pega leve! ¬¬"

As mesmas pessoas mais velhas dizem que, com o passar dos anos, você fica sem paciência com o mundo, que se torna mais bruto. Verdade ou não, é estranho ver manifestado em si, um comportamento que – até então – você considerava totalmente sem fundamento; “A idade não define o comportamento da pessoa, sua boa-vontade sim!” era o que eu dizia... Pagar a própria língua? Ou simplesmente acabou o estoque de boa-vontade? De qualquer forma, só sei que não estou gostando muito desse comportamento por vezes automático. Pode parecer seguro, confiante e cool (afinal, ser sarcástico é o novo hype), mas acaba afastando todos à volta (mesmo os amados) e... bom, dá pra imaginar o resto, não?


Quem me conhece a alguns (muitos) anos sabe que eu já tive uma fase putaquecaralhomente anti-social e... bom, digamos que não foram os meus dias mais felizes, mas acho que, disso tudo, cheguei a uma conclusão (bem óbvia, na verdade): Ser frio e cortante pode estar em alta. Ser duro pode passar bastante segurança, mas – sejamos francos – pessoas precisam de pessoas. E, sinceramente, não sei se quero voltar àqueles dias.

Hasta!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sobre urnas e questões...

E se passaram as eleições. Dentre as dezenas de cobranças (“Em quem você votou?”) , restrições (de beber, inclusive) e obrigações, impossível não questionar o sentido disso tudo. Pra que votar? Ou melhor, por que a gente é obrigado a votar?

Dada toda a miríade de reluzentes (e competentíssimos) candidatos é compreensível e aceitável (apesar das disposições em contrário) que o cidadão não tenha qualquer vontade de votar. Tudo bem. Eu mesmo não quis votar (ainda acho que o voto é o combustível da máquina eleitoral/interesseira; que, por sua vez, pra tudo o mais funciona sozinha e descontrolada), mas fui obrigado. Por que "obrigado"? Quantas outras pessoas não quiseram votar, mas tiveram que fazê-lo a contragosto? Pior: quantas – só para fazê-lo (por fazer) – acabaram votando em candidatos aleatórios, ignorando, assim, o valor de seu voto?

Há quem justifique dizendo que, no Brasil, se não houvesse a obrigatoriedade do voto, ninguém votaria. Dá pra culpar esse povo? Ora, se os cidadãos são obrigados a manter (de mau grado) um sistema, há algo de errado, não? O mesmo dizem sobre o serviço militar (masculino); quando não justificam (a ambos) com o já clássico “sempre foi assim”.

Sempre foi assim... adoro essa frase.

Se pararmos pra pensar, tem muitas coisas nas quais não acreditamos/nos são inúteis, mas que fazemos por pura repetição: além dos “deveres cívicos” já citados, o que mais fazemos? Chamar qualquer autoridade e/ou transeunte vestido de branco de “doutor”? Tomar a benção quando não se é mais cristão? Acreditar em algo somente quando aparece na TV? Reclamar do tempo? Embarcar na primeira fila que se vê? Em maior ou menor escala, os exemplos são vários, mas a razão é uma só: por vezes nos comportamos como maquininhas condicionadas e repetitivas. Lei do menor esforço? Talvez até seja, mas não vem ao caso tratar disso agora (ou até venha, mas acho que já estou dando voltas demais)...

É tão difícil assim questionar?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jeitinho brasiliense...

♫ “Brasília, a terra do carão...” ♪

Assim dizia uma música que ouvi a alguns anos num CD promocional do Paroutudo.com que o Devs ganhou de alguém, e que o mesmo fazia questão de ressaltar sempre que incomodado com o “jeitinho brasiliense” de ser (ou seja, diariamente). Implicância ou não, ele não é o primeiro (e algo me diz que não será o último) a me reclamar da postura fria e posuda dos cidadãos da capital... e o pior é que sou forçado a concordar com ele.

Qualquer um que viaje ocasionalmente por aí deve notar que – em relação aos brasilienses – as pessoas de outros estados são mais simpáticas e receptivas a conhecer gente nova (ou, pelo menos, assim demonstram); não se esforçam (tanto) em manter uma pose ou em simular possuir um “status”, mas por que essa diferença?

Há quem culpe o fato de se tratar de uma cidade planejada: nascida pronta há 50 anos, sem ter tido tempo, ainda, de desenvolver uma “alma” própria ou um senso de comunidade em seus cidadãos; e há quem atribua a situação, também, ao fato de que a cidade já nasceu destinada à elite do Governo (governantes, funcionários públicos, burocratas e afins), já devidamente separados e organizados por setores da cidade. Independentemente da razão, o fato é que muitas vezes pego várias pessoas (e, pra minha vergonha, eu mesmo) assimilando essa postura seca (sem trocadilhos com o clima daqui, embora seja quase impossível não associá-lo) e, verdade seja dita, é um tanto constrangedor se dar conta disso.

Tento romper, todos os dias, esse estereótipo; essa distância segura (como alguns preferem definir) que os brasilienses parecem naturalmente – e culturalmente – ter, mas quão difícil é vencer um hábito carregado desde o nascimento! Mesmo assim é sempre bom (e sensato) ter consciência de que hábitos podem ser mudados e que – no final das contas – pessoas definitivamente não são ilhas.

(frases feitas, sim, mas nem por isso menos verdadeiras)

Hasta!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Quem fala o que quer...

Nunca conheci minha bisavó; e, embora tenha sérias suspeitas de que – caso nos conhecêssemos – rolaria uma SÉRIA incompatibilidade de gênios ("os iguais se repelem", já diz a física); não posso negar que a admiro: seja por sua postura firme, ou por sua intolerância a piadinhas que a diminuíssem (ou à família) de alguma forma. Minha avó chega a contar que uma de suas frases mais freqüentes era “A gente, quando não tem o que falar, enfia o dedo no cu e cheira!”.



E por que estou falando de minha bisavó e sua (já icônica) frase de respeito? Porque juro que, às vezes, queria ter esse mesmo pavio curto com gracejos idiotas que algumas pessoas falam para se sentirem superiores. Sabe aquelas pessoas que parecem não saber se comunicar e – sabe lá Freud por quê – acham que é uma boa idéia começar uma conversa (ou mantê-la) com provocações? Sabe quando você – por hábito ou por motivos que só o mesmo Freud explicaria – resolve não se irritar com a situação e a leva com o máximo de educação e elegância que sua calma permite? Sabe quando, depois da conversa com a referida pessoa, fica aquele sentimento residual de vergonha? Pois é...

Há quem diga que “pessoas boas só se fodem”; um tanto exagerado na minha opinião já que “bom” e “mal” são conceitos putaquecaralhomente relativos e que a idéia de basear toda sua interação social em opções tão limitadas seria - no mínimo - muito precipitado e inocente, mas certamente educação demais (assim como tudo em demasia no mundo) pode se tornar um problema.

Nessas horas apóio quem diz que grosseria é algo necessário à convivência humana...

"Aí eu larguei minhas coisas no chão e rodei a mão na cara dela!!!"


(Ok, talvez uma grosseria não TÃO direta... o.ô)

Hasta!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Cara estranho´s day



Porque há dias em que o somos...

(a música fala por si)

Hasta!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dreams make no promises...

Conheço alguém que fala, constantemente, para nunca contar meus planos para os outros, já que a inveja dos mesmos poderia estragar com tudo; teorias à parte (e confesso que nunca gostei dessa que acabei de citar... sempre me pareceu muita arrogância culpar os outros por meus fracassos, principalmente alegando inveja), começo a concordar com a idéia de que “em boca fechada não entra mosca”.

Fazendo um retrospecto de todos os planos mirabolantes que já fiz (o de viajar, na doida, pra São Paulo, no ônibus dos sacoleiros, foi o mais recente), de fato, não exagero se disser que os que deram certo foram justamente os que – além de ter um mínimo de planejamento – guardei mais pra mim, sem fazer alarde.

Superstição? Não sei (e, verdade seja dita, nem vêm ao caso saber), mas realmente cansa (e queima o filme) criar toda uma aura de expectativa em cima de algo e vê-la se transformar na mais pura frustração frente à inevitável impossibilidade. Cansei de procurar conforto num eterno “Fica pra próxima!”

(e também vamos combinar que causar surpresa é bem mais interessante, né?)

Hasta!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Na vitrine do açougue...

Posso até me comprometer ao dizer isso, mas hoje – depois de anos – resolvi voltar ao Bar Barulho... Assim, do nada. E a primeira impressão que me deu foi a de que o lugar não bomba mais como antes; na verdade estava até bem tranqüilo (antes tinha que atravessar um dancefloor LOTADO e ser assediado por N anônimos dançantes pra chegar no balcão e comprar uma cerveja, coisa pela qual – muito felizmente – não passei agora), mas se tem algo que eu percebi de cara que NÃO MUDOU (além do som ambiente e do mesmo senhor que fica de um lado pro outro vendendo chicletes e cigarros) foi que o movimento do bar ainda é, essencialmente, de pessoas a fim de fazer pegação.



Ok, aí você me diz que qualquer bar é freqüentado por pessoas a fim de fazer pegação; beleza, confesso, até eu já fiz isso, mas a questão é que o Barulho sempre foi notório por abrigar – em sua maioria – pessoas muito solitárias (e/ou muito enrustidas) à procura de um prazer rápido e sem compromisso e essa parece ser, ainda, a grande marca do bar.

E por que estou falando agora do Barulho e sua (nunca oficialmente assumida má) fama? Porque foi preciso estar lá, no meio de todas aquelas pessoas solitárias (nunca oficialmente assumidas), pra perceber quanta gente solitária existe no mundo; só estando do outro lado daquela vitrine de açougue pra perceber o quanto os “pedaços de carne” (como muitos os vêem) precisam não só do prazer carnal como algo mais (embora nunca admitam e o primeiro prazer seja – de fato – muito mais prático e superficial). Quando se relacionar se tornou tão difícil?

Há quem diga que “solidão” seja um tema bem recorrente no meu trabalho e confesso que quero trabalhá-lo na minha diplomação, talvez por isso preste tanta atenção em como as pessoas se relacionam ultimamente. E o prognóstico? Nada otimista, biscoito!

Cada dia me convenço mais de que a idéia-comum de que “os tempos atuais exigem soluções práticas” é real... Digo - pensa comigo – estamos tão acostumados a optar pelas soluções mais práticas e imediatas e de menor custo (imediato) que nunca paramos pra nos perguntar se elas também se aplicam às relações/sentimentos humanos (ou estariam os sentimentos simplesmente defasados?).

Anyway, há quem consiga viver bem com esse estilo de vida (algumas vezes os invejo), mas o que mais vejo são pessoas que – ao contrário da atitude que ostentam – sentem uma necessidade tremenda de um relacionamento romântico (quase à moda antiga).

#Comolidar?

Hasta!

terça-feira, 8 de junho de 2010

"Orgulhos" e "correções"...

Confesso que nunca me dei muito bem com a militância LGBTTT; não por considerá-la desimportante (embora já o tenha feito num período de profunda fé no ser humano e em sua civilidade natural), mas simplesmente pelo fato de que – sendo, metade dos meus amigos, militantes ferrenhos – sinto que havia (mesmo que indiretamente) uma certa cobrança em participar do movimento e – confesso de novo - , não importa o motivo, eu SEMPRE corro das coisas cobradas/impostas. É algo instintivo, algo meu... o que se há de fazer?

Anyway (voltando ao assunto), apesar das colaborações indiretas e as tentativas de manter uma distância respeitosa do movimento (em cujos bastidores descobri uma rede de egos tão ou mais inflados quanto o próprio meio artístico), acho que o mundo – mais uma vez – me fez pagar a própria língua e nos coloca em tempos em que, pelo menos aparentemente, a homofobia é o último grito da moda (se por conta de agressão, não se sabe): não consigo lembrar de ouvir tantas denúncias de atos de violência contra homossexuais/transgêneros/intersexos como ouço agora.

"Tendência? Eu REALMENTE espero que não!"

Dito isso, sei que a provável primeira reação de quem me lê será me julgar (oh, adorável natureza humana) alienado e bairrista (aquele que só percebe o problema quando este bate à sua porta), mas – se tratando, agora, de um desabafo – sinta-se à vontade (claro que não digo que tais atos não aconteciam antes, mas a impressão que tenho é a de que – agora – a situação chegou num patamar explícito e inacobertável).

Já é de conhecimento público a notícia do beijaço ocorrido na UnB, semana passada, contra os trotes homofóbicos ocorridos na Faculdade de Tecnologia e as posteriores ameaças a uma das manifestantes. Desde então, instalou-se um clima de total apreensão na Universidade de Brasília: Não há mais qualquer demonstração de afeto, conversa livre ou mesmo as bem-humoradas demonstrações de “pinta” que não sob a sombra de uma possível represália vinda de não-se-sabe-onde; como se – do nada – uma guerra binária-ideológica-incoerente-e-ridícula houvesse sido declarada entre o Orgulho LGBTs e o dito “Orgulho Hétero”. Besteira, eu sei, mas é a sensação que fica.


Há alguns meses atrás fui surpreendido (no PÉSSIMO sentido) com a existência da comunidade “Estupro corretivo” no Orkut (da qual as pérolas “Não pregamos o estupro; estupro é quando não há amor de ambas as partes” e “Não somos homofóbicos... COM LÉSBICAS!” foram extraídas e imortalizadas); graças aos deuses (e aos internautas) a dita cuja foi fechada, mas – claramente – sua ideologia parece perdurar...

Então agora será assim, Brasil? De volta à uma era de intolerância e repressão?

(por favor, prove que eu estou errado)

Hasta!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

It doesn't pay...



“Você já foge naturalmente das coisas, mas agora parece querer fugir de tudo!”
(minha irmã, pra mim, essa semana)


Será mesmo? Olhando em retrospecto até que faz sentido: aquela gana (e, às vezes, impulso) incontrolável de correr e deixar pra trás tudo que te causa mal-estar, agonia, falta de ar e revolta; a esperança – mesmo que fantasiosa – de que, deixando o incômodo pra trás, se possa recomeçar o que deu errado a partir de um ponto zero imaginário, a chance de resetar uma das micro-histórias que compõem sua vida. É tentador, é mágico e – de uma certa forma – infantilmente delicioso... mas adianta?

Talvez por já ter feito isso (e ainda fazê-lo) várias vezes possa afirmar que – apesar da sensação temporária de liberdade e transgressão (o detalhe que torna a coisa “infantilmente deliciosa”) – não adianta muito... nada, na verdade; cedo ou tarde (quando não sua consciência, te acusando de não ter culhões de encarar a situação de frente) os problemas deixados pra trás te alcançam, exigindo uma solução e te deixando, novamente, na berlinda: fugir ou encarar? Pôr um ponto final no conflito ou dar continuidade a um jogo de incertezas?

"Não perca o próximo episódio..."

Confesso (e me comprometo ao dizer) que, até hoje, meu impulso natural é sair correndo (mesmo com o joelho ainda avariado) pra longe dos problemas. Se por medo ou – simplesmente – cansaço de “dar murro em ponta de faca”, ainda não descobri, mas tento não sucumbir a essa vontade primária. Fugir pode cansar mais do que simplesmente resolver um impasse que pode ser resolvido mágica(e incrível)mente com uma simples conversa.

Quero ir embora de Brasília assim que me formar. Como já ouvi numa mini-palestra durante uma das aulas na UnB, “Você não consegue viver de arte, em Brasília, sem ser professor” e – bem – nunca tive o jeito ou a desenvoltura que o ofício exige (não vou mentir), mas, nesses dias, me pego pensando bem nos motivos desse desejo súbito e desesperado de ir embora...

Sina?

Hasta!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só pra constar...



Respeito não se ganha de aniversário...

Não vêm em caixinhas de cereal...

Não se anuncia na TV...

Não se vende nas melhores lojas...
(“Atitude” sim, respeito não)

Não se contempla respeito num consórcio...

Não o ganhamos na loteria, tãopouco...

Não o negociamos...

Não o exigimos (embora MUITOS o façam)...

Não o encontramos na rua...

RESPEITO SE CONQUISTA!