quarta-feira, 7 de abril de 2010

Espinhos



- Porque cada um se defende como pode (alguns com os punhos, outros com o intelecto e outros, ainda, com um senso de humor cruel);

- Porque algumas pessoas não sabem quando se desarmar (e, quando é o caso, alguns sistemas de defesa tem modo de acionamento automático);

- Porque algumas pessoas subestimam as outras;

- Porque algumas palavras (sobretudo em conjunto) tem um puta poder;

- Porque pessoas de gênio forte são (relativamente) difíceis de conviver;

- Porque, quando eu vejo, já falei...

(mas amo do mesmo jeito)

sábado, 3 de abril de 2010

"A morte está diante de mim hoje..."

“I dream about, how it's going to end,
Approaching me quickly,
Leaving a life of fear,
I only want my mind to be clear...”

(Suicidal dream – Silverchair)


Esses dias, numa festa (quem vê assim pensa que minha vida não é outra coisa senão uma sucessão interminável de festas, né? Hehehe, enfim...), estava conversando com duas pessoas aparentemente bem diferentes quando, subitamente, o tema “suicídio” entrou na roda; um tema súbito que – momentaneamente – eliminou as discrepâncias entre as duas pessoas: os melhores amigos de ambas se suicidaram.

Digo “momentaneamente” porque, na conversa que se seguiu, ficou claro que o posicionamento de ambas em relação ao acontecido também era completamente diferente; o “egoísmo” do suicida referente ao “alívio” pessoal e do conseqüente sofrimento de amigos/amores/familiares, o “direito” que cada um tem (ou não) sobre sua própria existência e a hipotética “chance” de impedir o ocorrido caso o tempo tivesse permitido e os “sinais” tivessem sido melhor interpretados, dentre outras questões foram debatidas por pólos totalmente opostos de pensamento (felizmente, sem que qualquer um apelasse para a religião).

É um tema difícil, (muy) pessoal e que mexe com os conceitos básicos de laços sociais/afetivos, autonomia e identidade do ser, isso é um fato; tanto que – talvez por isso – desperte opiniões tão radicais quanto as que ouvi (além dos dois, que se valiam do volume de voz para legitimar ainda mais seus argumentos, as outras pessoas com quem conversei sobre o assunto defendiam seus pontos de vista com firmeza e convicção invejáveis).

Não sei bem a que conclusão chegar (ou se devo chegar a uma) pois – verdade seja dita – muitas famílias (e indivíduos) são arrasados pelo suicídio de alguém, mas deveria esse alguém continuar com uma existência sofrida (se assim lhe parece), simplesmente para evitar machucar o próximo? Ou seria apenas uma questão de perspectiva, de aprender a ver – nas pequenezas e desimportâncias da vida – algum motivo que ainda o mantivesse nesse plano?

Well... é uma forma de ver as coisas.

O que você faria se descobrisse que seu melhor amigo estivesse à beira do suicídio?

Acho que poderia passar 100 anos matutando sobre o assunto sem chegar a uma conclusão satisfatória (logicamente falando, claro; afinal há casos e casos)...

O que você acha?

Brasília: Quem te viu, quem te vê...

Esses dias recebi da Cínthia um e-mail com fotos de Brasília que datam de 40 anos atrás e, estando no mês em que a capital completa 50 anos (juro que tentei, mas é difícil escapar dessa onda comemorativa quando se é bombardeado por todos os lados com n°s “50” amarelinhos e estilizados), não resisti a posta-las aqui (com fotos atuais, porque eu também não resisto fazer aquela comparaçãozinha básica).

Clichê? Que seja...

Avenida W3 Sul
Na época em que ainda valia alguma coisa...

...e a bagaceira de hoje em dia.

Catedral


(Take me to your leader)

Congresso Nacional


(ATORON a ironia dessa foto...)

Rodovíária
Porque, independente da época, todos os caminhos passam por ela...





...quer a gente goste ou não (e praticamente ninguém gosta)!

Ok, confesso que não é AQUELA diferença gritante (afinal só se passaram 50 anos), mas acho que já dá pra perceber alguma mudança. Confesso, também, que adoro essas fotos do começo da cidade; não sei se por causa das N histórias e lendas urbanas que minha avó me conta sobre a construção de Brasília, mas eu realmente gosto de olhar pra esses registros (qualquer dia ainda quero visitar o arquivo público do DF).

Anyway, a quem interessar possa, enquanto procurava fotos atuais pra postar aqui também encontrei esse fórum com imagens e comentários sobre a história de Brasília, é bem interessante! =)

Hasta!

terça-feira, 30 de março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

A chegada

Imagine a situação... Um personagem, cheio de sonhos, junta uma grana e se aventura num novo (e surpreendente) país, sem qualquer conhecimento da língua local, dos costumes e com pouco(íssimo) dinheiro, sendo ajudado – ocasionalmente – por estranhos bondosos, cada qual com sua história de luta e sobrevivência naquele estranho país; esse enredo te parece familiar?

(Tá me estranhando, colega???) ¬¬"

Essa é a premissa básica de “The arrival”, história de Shaun Tan que conta, numa única edição (one-shot), a incrível aventura de se arriscar num lugar que não o seu. Contada, apenas através das imagens (ora envelhecidas, ora oníricas), essa é uma edição à qual é difícil não se deixar tocar. Recomendada à quem não se sente em casa (assim como quem se sente e aqueles que não se sentem, mas fizeram de seu lugar, uma casa). Cortesia do pessoal do Gibiscuits, de onde baixei já a algum tempo (mas só li agora... É, eu sei: shame on me).



Anyway, pra quem quiser baixar, é só clicar aqui (e pra quem ficou com vontade, mas não faz idéia do que é um arquivo CBR e de como se lê uma coisa dessas, o link é este aqui).

Hasta!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Brasília e a crise de meia-idade



Brasília está prestes a completar 50 anos. Isso está longe de ser novidade dado o alarde com a (hipotética, nada mais) vinda de astros internacionais da música para a comemoração e a atenção voltada à cidade por causa dos recentes escândalos ético/político/panetônicos. De qualquer forma, a ocasião traz à tona questões há muito postergadas tanto pelos cidadãos quanto pelas autoridades competentes; uma delas é a quase iminente perda do título de “Patrimônio cultural da Humanidade” cedido pela UNESCO.

Desnecessário falar dos recentes projetos pseudo-faraônicos de nosso querido (agora ex) governador e do genial, visionário, fantástico e reluzente (adjetivos acrescentados por questão de ego) senhor Niemeyer em função da vindoura Copa do Mundo de 2014, né? Já deixei minha opinião sobre isso bem clara em outro post (ou seja, soltei os cachorros); a real ameaça ao tombamento são as constantes tentativas de modificar o plano urbanístico original da cidade.

Dê uma volta por Brasília, não será difícil ver os “puxadinhos” nas áreas comerciais, as tentativas de burlar o limite de andares nos prédios ou o descaso com os monumentos já tombados; todas essas “desimportâncias”, a seu modo, descaracterizando pouco a pouco o plano original.

Já ouvi várias pessoas reclamando que, em Brasília, todas as quadras são iguais e que tamanho controle chega a ser insuportável para quem vem de fora e sei que, para quem não mora aqui, tais regras parecem um tanto ditatoriais, repressivas e excessivamente simétricas (ou que, pelo menos, tencionam uma simetria excessiva) já que – verdade seja dita – cidades são “bichos” selvagens; se adaptam e crescem de acordo com o ambiente e as necessidades de seus cidadãos.

-Isso! E ali vai ficar o shopping e depois o centro comercial e...
- Se atenha ao plano, Juscelino...

Brasília se encontra no meio deste conflito: o de continuar com seu status de Patrimônio Cultural (e, com isso, manter inalterado seu plano arquitetônico e urbanístico) ou de ceder aos seus “instintos” básicos e se desenvolver/expandir como qualquer outra cidade no mundo; cada opção, com seus respectivos prós e contras. Para decidir essa questão (entre outras) a reunião anual do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO será realizada, este ano, em Brasília, onde a recente situação da capital será analisada por especialistas em tombamento de todo o mundo.

Há quem veja, nessa reunião, a oportunidade perfeita para cobrar medidas que defendam o patrimônio urbano e imaterial (sim, também o temos!) dos crescentes interesses privados e há quem simplesmente pague pra ver. E, sinceramente? Acho que me incluo no segundo grupo. Explico (antes de levar uma pedrada ao algo do tipo): Nos últimos anos vi tantas mudanças na cidade e projetos (alguns já iniciados, inclusive) que, sinceramente, temo que já tenhamos perdido o já dito tombamento patrimonial (o que, certamente, seria a festa de muitos), mas quem sabe, né? Só nos resta esperar essa reunião e, posteriormente, suas repercussões.

Hasta!

terça-feira, 23 de março de 2010



Mais um filme a conseguir a façanha de me fazer chorar (confesso mesmo!).

(Pode me chamar de atrasado, sou uma pessoa mais feliz depois de "Frida")