sábado, 23 de outubro de 2010

Salão Universitário

Não sei se já disse aqui (provavelmente sim), mas agora trabalho na galeria de arte da UnB, o Espaço Piloto. É um emprego legal, oscilando entre os momentos de calmaria (exposição) e tempestade (montagem), assim como qualquer outro. Mas – espere aí – acho que estou me distanciando um pouco do que quero dizer...

Pois bem, uma das coisas boas de se trabalhar numa galeria é ter acesso a todas as datas de exposições, vernissages e editais; isso posto vou fazer aqui um pequeno momento publicidade (estou pra criar uma tag só pra isso) a quem possa interessar...



Vale ressaltar que o edital se aplica a todos os artistas universitários (não apenas “universitários de artes”, que fique claro) da região Centro-Oeste, que a inscrição é gratuita e vai até 15/11/2010. Para mais detalhes o edital completo se encontra no blog do Espaço Piloto, ok?

Hasta!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pardal

(ou "Coisas que encontramos no fundo de velhas caixas"...)


Como esquecer... quem sabe

Numa noite onde alguns fantasmas provaram ainda existir (maldito mundinho mínimo), entro no site do Mix Brasil e dou de cara com esse trailer:



Coincidência? Epifania? Deja-vu?

Não sei porquê, mas de repente me deu uma vontade danada de ver esse filme (alguém me acompanha?)...

Hasta!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ordinário(extra)Ordinário...

Vontade de (re)ver esse filme...



Se tem alguma relação com o post anterior eu não sei (e nem me importo muito, na verdade); apenas uma vontade repentina mesmo.

Hasta!

Sobre urnas e questões...

E se passaram as eleições. Dentre as dezenas de cobranças (“Em quem você votou?”) , restrições (de beber, inclusive) e obrigações, impossível não questionar o sentido disso tudo. Pra que votar? Ou melhor, por que a gente é obrigado a votar?

Dada toda a miríade de reluzentes (e competentíssimos) candidatos é compreensível e aceitável (apesar das disposições em contrário) que o cidadão não tenha qualquer vontade de votar. Tudo bem. Eu mesmo não quis votar (ainda acho que o voto é o combustível da máquina eleitoral/interesseira; que, por sua vez, pra tudo o mais funciona sozinha e descontrolada), mas fui obrigado. Por que "obrigado"? Quantas outras pessoas não quiseram votar, mas tiveram que fazê-lo a contragosto? Pior: quantas – só para fazê-lo (por fazer) – acabaram votando em candidatos aleatórios, ignorando, assim, o valor de seu voto?

Há quem justifique dizendo que, no Brasil, se não houvesse a obrigatoriedade do voto, ninguém votaria. Dá pra culpar esse povo? Ora, se os cidadãos são obrigados a manter (de mau grado) um sistema, há algo de errado, não? O mesmo dizem sobre o serviço militar (masculino); quando não justificam (a ambos) com o já clássico “sempre foi assim”.

Sempre foi assim... adoro essa frase.

Se pararmos pra pensar, tem muitas coisas nas quais não acreditamos/nos são inúteis, mas que fazemos por pura repetição: além dos “deveres cívicos” já citados, o que mais fazemos? Chamar qualquer autoridade e/ou transeunte vestido de branco de “doutor”? Tomar a benção quando não se é mais cristão? Acreditar em algo somente quando aparece na TV? Reclamar do tempo? Embarcar na primeira fila que se vê? Em maior ou menor escala, os exemplos são vários, mas a razão é uma só: por vezes nos comportamos como maquininhas condicionadas e repetitivas. Lei do menor esforço? Talvez até seja, mas não vem ao caso tratar disso agora (ou até venha, mas acho que já estou dando voltas demais)...

É tão difícil assim questionar?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Memórias de caderno e óculos...

(ou, se preferir, "Semana de férias")















Exatamente por sua transitoriedade, possui um valor único. Perdido, perdido, perdido; tento chegar ao Museu do Giramundo e – pela rabagésima vez – erro o caminho e vou parar nos limites de BH, o que me leva à questão: será minha tendência natural ser atraído por fronteiras ou simplesmente gosto de seguir na contra-mão? Ao jantar um X-bacon numa padaria qualquer, perto do Palácio das Artes, olho pela janela e vejo o letreiro neon, do outro lado da rua, filtrado pelas folhas sombrias de uma árvore, em frente à janela; subitamente lembrei das luzes de uma cidade qualquer, distante, em Brasília. Dessas que, dada a geografia do planalto central, você vê de longe: um mar de luzinhas brancas de postes. Um movimento de cabeça depois, o encanto se desfaz; mas a pequena fagulha de saudade permanece, imóvel nos instantes seguintes. Ah, o ser humano... Não se trata de conhecer lugares, mas experiências.





















“Do pó vieste e ao pó retornarás”... Mais uma frase-feita. Mais uma verdade.

Brasília, que saudade!

BH e São Paulo, que saudades maiores ainda!

Estabelecida a distância, a saudade é uma reação automática e (aparentemente) natural...

Será?

O Palácio dos Arcos

O Palácio dos Arcos
tem estórias de valor
que não quero aqui contar
Vou contar a estória do soldado carajá.

Era uma vez em Goiás
um soldado, carajá civilizado.
Sabia ler e contar.
Estimado no quartel.
Tinha boa disciplina,
divisas de furriel.

Um dia... era no mês de outubro.
A cidade estava baça
de fumaça das queimadas.
Fazia um calor medonho.
O povo clamava chuva.

O soldado carajá
dava guarda no palácio
aquele dia.
De repente, ouviu um trovão surdo rolar
do lado da Santa Bárbara.
Rolou outro atrás do primeiro.
Levantou-se um pé-de-vento,
redemoinho.
Um cheiro forte de terra.
Um cheiro agreste de mato.
Um cheiro de aguada distante.
O soldado carajá,
ninguém sabe o que sentiu.

Acordou dentro de si
uma dura rebeldia.
Uma rude nostalgia.
O grito de sua raça.
Chamados de sua taba.
Aquela mudança de tempo
despertou os seus heredos.

Acordou seus atavismos.
Certo foi...

O bugrinho carajá,
de uma tribo muito mansa do Araguaia,
tinha vindo pequenino para Goiás.
Foi criado bem criado
numa casa de família.
Ninguém nunca contou
dondé que ele tinha vindo.
Era mesmo filho da família,
era igual aos meninos da cidade.

Andou na escola. Aprendeu leitura.
Subiu nos morros, apanhou pequi.
Nadou no rio, fisgou cascudo.
Pinchou pedra, quebrou vidraça.
Vendeu tabuleiro de bolo de arroz.
Jogou bete na rua.
Empinou arraia.
Lançou corsário.
Brigou na regra. Embolou no aloite.
Escreveu indecência nas paredes.
Cresceu. Se fez homem de bem.
Sentou praça na Polícia.
Vestiu fardão escuro, botão dourado,
daquele tempo.
Calçou bota reiúna-canguru legítima,
ringideira.
Botou correame, quepe, mochila,
cinturão, refle-baioneta.
Encostou fuzil no ombro.
Fazia sentinela. Dava ronda.
Rendia guarda, marchava, desfilava.
Era estimado no quartel.

Tinha boa disciplina,
divisas de furriel.
Um dia (era no mês de outubro)
andavam de noite fogaréus vermelhos
queimando os morros.
A cidade estava baça de fumaça
das queimadas.
Fazia um calor medonho.
O povo clamava chuva.

O soldado carajá dava guarda no palácio.
De repente, ouviu um trovão surdo rolar
do lado da Santa Bárbara.
Rolou outro atrás do primeiro.
Levantou-se um pé-de-vento,
redemoinho.
Um cheiro forte de terra.
Um cheiro agreste de mato.
Um cheiro de aguada distante.

O soldado carajá, sabe lá o que sentiu.
Acordou dentro de si
uma grande nostalgia.
Uma dura rebeldia.
O grito de sua raça.
Chamados de sua taba.
Aquela mudança de tempo
despertou os seus heredos.
Acordou seus atavismos.

Certo foi que o soldado carajá
(bugre civilizado, sabendo ler e contar)
Encostou sua comblém (era no tempo das combléns).
Descalçou a reiúna-canguru legítima, ringideira.
Baixou o quepe, correame,
mochila, refle-baioneta.
Sacou da túnica.
Desceu as calças e o mais que havia,
Saiu correndo pelas ruas.
Nu?
Vestido com seus atavismos.
Coberto com seus heredos.
Alcançou a Barreira do Norte
e sumiu-se no rumo do Araguaia...

Na poeira do bárbaro
atuado pelas forças cósmicas e ancestrais,
ouvia-se o grito selvagem:
...uirerê! ...uirerê! ...uirerê!...

E era uma vez em Goiás
um soldado de guarda,
civilizado carajá!

(Cora Coralina)